sábado, 14 de outubro de 2017

O Bêbado e a Equilibrista


CARLOS FERNANDES·QUINTA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO DE 2016

"O BÊBADO E A EQUILIBRISTA"



Estas imagens, fundidas em bronze, estão no Eurovea, um dos muitos shoppings de Bratislava.
São meramente decorativas. Por toda a cidade encontramos personagens criados, depois da guinada ao ocidente da jovem (?) república eslovaca, que têm como objetivo enfeitar a cidade, dando-lhe um toque alegre, de fantasia mesmo.
No caso desta que chamei de "O Bêbado e a Equilibrista", lembrando a poesia de Aldir Blanc nas notas de João Bosco, me fez pensar que os personagens representam um antagonismo atroz, como A e Z, Alfa e Ômega.
Nunca o bêbado conseguirá deslizar na corda bamba, nunca a equilibrista experimentará bebida mantendo o seu mister.
Aí, perguntei-me: Por que os dois estão juntos/separados na letra do samba? Seria a condição de extremos, o que permitiria a inclusão dos personanagens envolvidos na metáfora do Brasil de então, o Brasil real, do Elevado Paulo de Frontin, de Betinho, Wadlo e Manoel, não citados diretamente e sim como irmão do Henfil, e as mulheres no plutal, Marias e Clarices a nos lembrar de tantos outros.
Ocorreu-me a alusão final: "... A esperança equilibrista Sabe que o show de todo artista Tem que continuar..."

Restou-me a sensação de que a arte e a esperança caminham juntas e não podem ser eliminadas. São bens maiores, dos desprotegidos, talvez os únicos a não serem usurpados. Carlos Fernandes, Bratislava, 3 de novembro de 2016.

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